Possibilidade Real de Crise pela Redução da Jornada de Trabalho
Ao aprovar a redução da jornada com manutenção de salários sem um plano claro de compensação em termos de produtividade, desoneração e competitividade, a Câmara dos Deputados:
- Ignorou alertas de parte do setor produtivo e de economistas;
- Aumentou o custo do trabalho de forma estrutural;
- E colocou em risco o equilíbrio entre proteção ao trabalhador e viabilidade das empresas.
A mudança da jornada de trabalho criou uma possibilidade real de crise sem precedentes na história recente do Brasil, pois tende a:
- Aumentar o custo da mão de obra para a indústria, comércio e serviços;
- Refletir: causa X efeito, pois a diminuição da jornada implica em real diminuição da produção pelo deslocamento do ponto de equilíbrio financeiro gerado pela manutenção de saídas e diminuição das entradas em caixa;
- Criar incerteza aos investidores na bolsa, pelas possíveis consequências econômicas de tal medida;
- Pressionar a inflação (por repasse dos custos aos preços);
- Reduzir a competitividade das empresas brasileiras frente a outros países;
- Levar ao fechamento de indústrias e à demissão de trabalhadores;
- Estimular a migração de empresas para países do Cone Sul, como Paraguai, Uruguai e Argentina;
- Aumentar o desemprego;
- Provocar desvalorização do real frente ao dólar, em um ambiente de desconfiança econômica;
- Incentivar a fuga de capitais estrangeiros;
- Elevar o preço dos serviços em geral e das taxas de condomínio, devido ao aumento do custo da mão de obra;
- Reduzir a arrecadação de impostos, em razão da queda da atividade econômica e do fechamento de empresas.
Em resumo, ao elevar o custo do trabalho sem garantir, ao mesmo tempo, aumentos de produtividade, simplificação e diminuição da carga tributária e segurança jurídica, o Congresso expôs o país a um cenário de alto risco macroeconômico.
O Congresso criou uma possibilidade real de crise, que não é a proteção ao trabalhador, pois o problema em si é fazer isso sem:
-
- Reformas estruturais;
- Ganhos de produtividade;
- Compensação para a indústria, comércio e células sociais de prestação de serviço pelo elevado ônus trabalhista.
Os empresários podem, quiçá, investir na automação com demissões de empregados, e/ou fechar o negócio e buscar guarida em fundos internacionais “Exchange Traded Fund”, ou “Fundo de Investimento Negociado em Bolsa”. Se o custo da mão de obra sobe, a automação fica relativamente mais barata. Se a indústria, serviços e comércio perdem margem de lucro, então devem os recursos serem redirecionados, afinal o capital não tem pátria.
Tijucas do Sul – Pr, 30 de maio de 2026.
Prof. Me. Wilson Alberto Zappa Hoog
